Crítica | Atômica

Após o sucesso de De Volta ao Jogo (John Wick), quando foi divulgado que um filme no mesmo estilo estava sendo produzido, meu coração assim como o da maioria dos fãs de filmes de ação, vibrou. E ao saber que esse longa seria dirigido por um dos diretores envolvidos no primeiro John Wick, que contaria com a Charlize Theron no papel principal e ainda seria situado nos final dos anos 80, o hype para Atômica atingiu as alturas, não tinha como dar errado.

Atômica conta a história de uma Agente infiltrada do MI6 que é enviada para Berlin durante a Guerra Fria para investigar o assassinato de um agente e recuperar uma lista desaparecida com o nome de vários agentes duplos. (O quão irada é essa sinopse?!).

O filme conta com um elenco de primeira e com personagens interessantíssimos, com James McAvoy roubando a cena no papel de Percival, de longe o melhor personagem no longa, dando um ar novo para o clássico “maluco que na verdade é bem esperto” e Charlize Theron dando um show de performance (Eu quero ser essa mulher quando eu crescer), mas sendo prejudicada pelo roteiro que deixou Lorraine Broughton como uma personagem entre o clichê nostálgico e o original, mas acabou não sendo nenhum dos dois.  A química entre ela e Delphine Lasalle, vivida por Sofia Boutella é muito boa e a relação das duas poderia ter sido muito mais aproveitada.

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James McAvoy como Percival

Atômica é um filme visualmente muito bonito, com filtros que causam a impressão que tudo acontece sob luzes neon, gerando uma identidade visual única e que encaixa maravilhosamente bem com o tom do filme. Entretanto a direção de arte e o figurino deixam um pouco a desejar, pois a principal forma de sabermos onde e quando o filme se passa é com o ele te dizendo isso a cada minuto (famoso mostre não fale).

A trilha sonora do longa é muito marcante, contendo diversas músicas que habitam nossos corações, porém a presença de músicas boas não é o suficiente se elas não forem bem utilizadas e é isso o que acontece em diversos momentos. Logo na cena inicial temos uma perseguição ao som de Blue Monday (se não me engano) que apesar de ser empolgante fica muito artificial, dando a sensação de que estamos vendo um videoclipe e não um filme. É praticamente Baby Driver feito errado.

Falando em coisas que foram feitas errado, chegamos na maior falha do filme: O roteiro. O roteiro de Atômica é simplesmente pavoroso. Temos milhares de plots misturados o que deixa o filme extremamente confuso, cenas que começam e não vão para lugar nenhum e diálogos fraquíssimos. Há a tentativa de fazer um thriller de espionagem envolvendo conspirações, traidores, assassinato, romance, ação tudo ao mesmo tempo, porém Kurt Johnstad certamente não tinha competência para tal e roteiro acabou ficando uma bagunça. O pior é que não havia necessidade de fazer um filme complexo, se atômica tivesse se comprometido com uma história simples teria atingido um resultado mil vezes melhor.

Charlize Theron

Charlize Theron sendo a atriz mais Badass que você já viu

Esses problemas no roteiro refletiram no ritmo do filme, que ficou arrastado e chato em vários momentos. É possível contar as cenas de ação (que quando acontecem são maravilhosas) , o clímax é fraquíssimo passando quase despercebido e pra completar o filme ainda tem a pachorra de tentar emplacar um plot twist tão clichezento e tirado do nada que chega a dar raiva.

Tudo isso resulta em um filme interessante com personagens muito bons de acompanhar, um visual maravilhoso, cenas de luta incríveis, porém extremamente prejudicado pelo roteiro pavoroso e ritmo arrastado.

Nota:

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