Crítica | Dunkirk

Christopher Nolan é sem dúvida um dos diretores mais influentes e versáteis da atualidade. Em vinte anos de carreira ele já se mostrou competente em thrillers de suspense, foi responsável pelo melhor filme de super herói (segundo muitos) e redefiniu várias regras da ficção científica. E goste você ou não do estilo do diretor, uma coisa é impossível negar: Os filmes de Christopher Nolan sempre trazem algo original, algo diferente e característico, e em Dunkirk não é diferente.

O filme se estabelece através de três pontos de vista: em terra, acompanhando soldados que tentam deixar a praia sitiada. Em Mar, com uma embarcação civil que navega de encontro ao inferno da guerra para resgatar os soldados. E no ar, acompanhando os caças ingleses que tentam impedir mais bombardeios. A transição entre esses três pontos se dá de forma fluída e envolvente, criando uma atmosfera de tensão e expectativa conforme as histórias vão se entrelaçando e compondo o grande quadro. Mais uma vez o diretor utiliza diferentes percepções de tempo para compor a sua narrativa, tática utilizada anteriormente com maestria em A Origem.

Apesar de ser um filme de guerra, praticamente não há sangue em tela, tão pouco propaganda pró ou contra guerra, ou foco na bravura dos soldados, ou atos de heroísmo extremo. Nolan nos descreve um cenário de derrota: uma batalha perdida com milhares de soldados temendo pela vida, traumatizados, com fome, frio e medo. A expectativa não é por uma batalha épica onde os soldados sitiados irão virar o jogo, mas sim no sucesso da retirada, em ver se aqueles soldados irão conseguir ir pra casa, fugindo do inferno da guerra. Em Dunkirk grande parte das principais características típicas de filmes de guerra não está presente, uma abordagem ousada que resultou em algo diferente e interessante.

Uma das principais críticas a Christopher Nolan se refere a utilização de diálogos expositivos e seu vício em enfatizar o óbvio. Dunkirk é um completo oposto a isso. O filme conta com pouquíssimos diálogos, sendo conduzido mais pelas atuações (dando foco na atuação pontual de Tom Hardy que consegue se expressar apenas pelo olhar, uma vez que passa a maior parte filme com parte do rosto coberto), pela câmera praticamente colada nos personagens e principalmente pela trilha sonora incrível e precisa de Hans Zimmer que se mistura maravilhosamente com os demais efeitos sonoros ditando momentos de tensão e calmaria, provocando emoção quando necessário e fazendo longas cenas serem inteiramente compreendidas e absorvidas sem que nenhuma palavra seja dita.

Entretanto há uma pequena recaída no final. Após vários minutos maravilhosos de “mostre e não conte”, no final somos surpreendidos com um discurso muito bonito e tocante, mas totalmente desnecessário e expositório que quebra a magia que o filme havia construído tão cuidadosamente até o momento, repetindo o acontecido em Interestelar, onde o final também acaba descambando para um drama desnecessário e que parece fugir do tom estabelecido pela narrativa até então.

Em um geral, Dunkirk é uma experiência cinematográfica a parte. Uma maneira inusitada de retratar um cenário de guerra, um exemplo de boa utilização de trilha sonora, efeitos de câmera e atuações para ditar o ritmo e emoções provocadas pelo filme e principalmente, uma prova de que Christopher Nolan, apesar dos deslizes em Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge e Interestelar, ainda possui muito a oferecer como diretor e roteirista, estando disposta a arriscar e aprender com os erros passados.

Nota:
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