Crítica | Os Oito Odiados

Durante uma nevasca, o caçador de recompensas John ‘ O Enforcador’ Ruth (Kurt Russell) está transportando a prisioneira Daisy Domergue (Jennifer Jason Leigh), que ele espera trocar por grande quantia de dinheiro. No caminho, os viajantes aceitam transportar um outro caçador de recompensas Marquis Warren (Samuel L. Jackson), e o futuro xerife Chris Mannix (Walton Goggins). Como a nevasca só piora, eles buscam abrigo no Armazém da Minnie, onde quatro outros desconhecidos estão abrigados.

Os Oito Odiados, oitavo filme de Quentin Tarantino, é um faroeste de tirar o fôlego. Tarantino utiliza um bom tempo dos 187 minutos de filme para apresentar os personagens e isso é essencial. Major Marquis Warren e General Sandy Smithers por exemplo, lutaram em lados opostos na Guerra Civil (A americana, não a da Marvel). Temos nesse caso, uma forte rixa racial e isso são apenas dois personagens. Uma vez que conhecemos os conflitos e motivações deles, o fato de todos estarem presos na mesma cabana com um inimigo desconhecido se torna muito mais agoniante.

Ao contrário de outras obras do Tarantino, onde temos minorias com quem podemos simpatizar, derrotando opressores com muito sangue violência, como em Á Prova de Morte (machismo), Bastardos Inglórios (nazismo) e Django Livre (racismo), em Os Oito Odiados isso não acontece.
“No one to Trust, Everyone to Hate” (Ninguém para confiar, todos para odiar) como já diz no trailer. Todos os personagens tem sua sujeira, seu podre. Até mesmo Daisy, a única mulher do filme que serve como saco de pancadas para todos os outros personagens masculinos fazendo com que muitas vezes o espectador sinta pena dela, se salva, Nós temos o pior da humanidade naquela cabana e uma ameaça desconhecida.

O filme faz algumas referências ao filme “O Enigma de Outro Mundo” (também com Kurt Russell) onde temos cientistas presos com um ser que assume a identidade de quem ele mata, ou seja, o inimigo pode ser qualquer um e ao livro “O Caso dos Dez Negrinhos ou E Não Sobrou Nenhum” de Agatha Christie onde dez estranhos são convidados para uma ilha onde começam a morrer um por um. Os Oito Odiados consegue pegar o melhor dessas duas obras para fazer um filme extremamente ousado, cheio de críticas sociais e genial.

Os diálogos também são outro ponto forte do longa (assim como em todos os filmes do Tarantino). Quase tudo é falado e não mostrado, o que pode parecer estranho, pois se trata de uma mídia visual. Contudo essa escolha de narrativa não só se encaixa perfeitamente com o estilo Tarantinesco, como também enriquece muito o filme.

Quentin Tarantino não deixou a desejar no seu oitavo filme e continua sem ter, na minha opinião, nenhum filme ruim no seu currículo de Diretor.

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